segunda-feira, 15 de junho de 2009

domingo, 17 de maio de 2009

uma pequena vitória


Achei uma libra no chão do buteco. Peguei disfarçadamente. Me dispensaram cedo nesse dia, eram só três da tarde. Lembrei do Gui falando: tu deve tá jogando street pra caralho. Não tive dúvidas, munido do meu pound achado, iria tentar a sorte na máquina.
Descendo a Carnaby Street, em Piccadily Circus, no London Trocadero, tem uma máquina de Street Fighter IV. Ela custa uma fortuna, um pound o continue. Chegando lá, vi dois chinas com cabelos chitãozinho e chororó com as pontas tingidas de loiro. Um deles jogava, o outro estava sentado do lado apoiando o amigo. O cara jogava com a Chun-li, e não parecia ser nada demais. Sempre perdia um round pro computador, fazia render a ficha. Ganhou de dois caras que tentaram jogar contra ele, mas eles também me pareceram ruins. Nisso, veio o remorso: porra, essa merda é cara, eu nunca joguei (na verdade, uma vez, mas foi palha, com o akuma, no time attack que eu escolhi sem querer, bêbado), e vou pagar pra tomar uma surra por não saber o timing da máquina.
Foda-se. O cara parecia ser ruim mesmo, e o fantasma do Gui não me saía da cabeça: já tivemos épocas de ganhar de pivetes no Conic, isso seria moleza. Meti a moeda e escolhi o Ken. No Street4 não tem defesa aérea, nem parry, toda vez que eu pulava tomava uma fácil. E toda vez que eu errava o shoryuken o cara pulava junto e me dava um grab aéreo com a Chun-li, o viadinho sabia jogar... perdi o primeiro round pateticamente rápido.
No segundo, comecei com uns hadoukens, nesse jogo rola o mesmo lance que no street3, tem aqueles especiais amarelinhos. Apanhei muito de novo, fiquei com só um téco de life. Nisso, o cara foi pro fim da tela e começou a me jogar aqueles hadoukens da Chun-li, que nem chegam do outro lado. O viado tava enchendo o especial. Queria me matar em grande estilo.
Nisso ele mandou o special. Na cagada eu pulei o troço. Como a vadia fica chutando o ar preciosos segundos depois disso, eu pulei, na cara e na coragem, e fiz o que o Ken faz melhor, voadora forte, murrão forte na cara e um shoryuken de fogo pra atiçar a galera. Ganhei o round. Virada sensacional. Gargalhei de alegria, rí forte, feliz no começo, forçado no final. Tinha que fazer valer o momento. O china e o amigo ficaram putos, fecharam a cara.
Começou o terceiro round, o cara me veio com umas combos de Ação Games, me botou no canto, deu um helicóptero amarelinho, fez o diabo. Mas como estava nervoso, tomou umas bandas, um gancho (bruno style pros adeptos). Evidentemente não foi o suficiente, e eu perdi. Ainda tinha meu sorriso do segundo round no rosto (o terceiro foi rapidinho), e saí satisfeito. Meus bróders ficariam orgulhosos.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Montage

Os anos 80 foram uma pérola de criatividade. Juntamente com a publicidade nascia os filmes "sessão da tarde" e com eles o conceito chamado Montage.

Quando um filme de ação era feito, sabiam que em um momento o personagem da trama deveria passar por um momento de crise e superação. É o exato ponto onde as falas são menos importantes do que suas expressões e homens sarados untados em óleo fazendo pose para a câmera.

Em momentos finais com a guerra fria Rocky o melhor lutador dos Estados Unidos da América deveria enfrentar o seu rival, obviamente mau, Drago da União das Repúblicas Socialistas Soviética.

Aqui podemos ver a nítida diferença entre o esforço para o crescer do homem americano, superando seus limites de forma simples, dedicada e ajudando aos oprimidos no processo contra o facilitado trabalho soviético de esteróides e gastos milhonários com equipamentos enquanto sua população passava fome, ao criar a máquina comuna de destruir homenzinhos.


Por ser atraente com seus 50 quilos e dentes separados a uma menina de cabelo ridículo e calça centropeito, Daniel San leva uma sova de gente sarada e caratecas sem honra. Ainda bem que o bom velhinho que morava perto de sua casa o defende e ensina o menino a se tornar um faixa preta no mais veloz treinamento marcial da história da humanidade.


Deixamos para o final o melhor uso da montage do cinema já construído até hoje. Um homem relembra em apenas dois minutos sua vida. Van Damme consegue manter a serenidade, relembrar um momento marcante do seu passado, pensar em vingar seu melhor amigo criado em uma semana e ainda passar um bronzeador enquanto gesticula os braços em seu passo de balé.


Montage: A duas décadas fazendo você acreditar que pode ser tornar o melhor a custa de músicas de fundo.

terça-feira, 5 de maio de 2009

da necessidade da diferença 1.2: Anaximandro, o ilimitado,a verdade, a opinião e a idéia.

Umas das três ou quatro sentenças de Anaximandro que herdamos da doxografia, no estilo absoluto das máximas, do que parece ter sido escrito nas pedras, versa assim:

ex hõn dè he génesís esti tois ousi kaì tèn phthoràn eis tauta gínesthai katà to khréon; didónai gàr autà díken kaì tísin allélois tes adikías katà tèn tou khrónou táxin

Pois donde a geração é para os seres, é para onde também a corrupção se gera segundo o necessário; pois concedem eles mesmos justiça e deferência uns aos outros pela injustiça, segundo a ordenação do tempo

Partindo dessas três linhas poderia me arriscar a dialogar com nosso caro colega luso-goiano, exilado no além mar. Mas antes, o que diabos essa sentença escrita a mais ou menos 2600 anos, passada a nós através de compilações editadas desde a antiguidade (essa mais especificamente é uma citação de Simplício registrada por Diógenes Laércio) poderia tentar nos dizer? Na minha humilde pretensão de ir adiante, para introduzir minha opinião - ou idéia – gostaria de chamar a atenção para o fato de que a filosofia é devedora dos mistérios, devemos pensar em como a filosofia é também mitosofia. De como os primeiros filósofos – como Anaximandro – eram também hierofantes, poetas e providos de forte carga místico-religiosa; em suma: diletos discípulos de Orfeu.

Assim, como a maioria das reflexões dos primeiros pensadores, o fragmento de Anaximandro é uma questão que se direciona para o princípio das coisas, para a ontologia e a origem de tudo que é. Da onde vêm tudo que está no mundo? Que fonte ilimitada é essa que origina tudo e porque tudo que de lá surge, inexoravelmente, chega ao fim? Como o perecível pode se originar no que não tem fim, tanto no espaço como no tempo? Pois, caso a origem não fosse ilimitada, em dado momento pereceria, “segundo a ordenação do tempo”. Acabaria, despedaçando-se no apetite insaciável do tempo, pois nada que foi, é e será, pode escapar desse deus faminto. E também, mesmo que escapasse da ordem do tempo, que espaço ocuparia? Por qual fronteira infinita, nós, seres limitados, deveriam atravessar para fugir do seu incompreensível diâmetro? Externo ao tempo e ao espaço, absurdamente incompreensível ao que é finito e incompleto. Isso é o que o pensamento do filósofo tenta apreender. A isso deram vários nomes, em sua ânsia de compreender o inalcançável: o Fogo de Heráclito, a Água de Tales e, nesse caso, o Apeíron (ilimitado, indefinido) de Anaximandro.

Essa é a tragédia legada a nós, apontada pelos gregos. O vislumbre e a perda desse momento. Da abertura original donde tudo tem princípio, e que nesse instante de origem, atesta o fim futuro de tudo que é, pois teve também passado e começo. Essa é a tragédia ilustrada pela fábula de Nietzsche; quando o ser encara o abismo que guarda no fundo a unidade de tudo que é, e se dá conta de “quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza” e que “houve eternidades, em que ele não estava; quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido”. Para esse filósofo, mais do que ilimitada, a unidade-de-tudo-que-é seria na verdade, indeterminada. Só o que não possui propriedades determinadas pode ser o princípio de todas as coisas, do contrário “teria nascido (se determinando), como todas as outras coisas, e teria de ir ao fundo” .

E não é isso que estamos tentando fazer desde que, como seres que existem e tiveram início e deverão ter fim, fazemos desde que saímos de dentro do principio anterior a tudo? Voltar a isso? Buscar a Verdade, pensar na Origem. Por isso filosofamos ainda, numa reverberação do primeiro pensamento que, por sua vez, buscou o seu primeiro pensamento. Não seria então o ato do pensamento que permite tentar salta o abismo, em direção ao momento de presença do Ser? Como sugere Heidegger: seria esse “ente em sua totalidade experimentada pré-conceitualmente” o que advém, no seu momento de desvelamento. A idéia antes do conceito, ou de qualquer outra forma que a define? A idéia que vêm antes de qualquer coisa, qualquer linguagem, qualquer direção. Pois a idéia dentro de nós, no momento que surge, ainda não foi determinada por nenhuma outra. Ao se criá-la, o antes indeterminado é agora encarado; o antes ilimitado conhece suas fronteiras e a verdade-para-sí encontra a multiplicidade de opiniões, jogadas por aí pelos outros seres. O embate a transfigura, seu véu é rasgado e agora podemos conhecer a sua face. Racionalizada, historicizada, laicizada, compreendida e criticada – a idéia proferida se desarticula em opinião, sobre a qual, como disse a deusa a Parmênides, “não há certeza”.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Putz!... Agora que fui entender a imagem dos sete samurais.


O nome da postagem não é bem esse... mas vamolá Esse é um velho texto que eu fiz num dia qualquer e nunca botei na net... eis a chance:

Deus

Ok... Direto ao assunto.... Hoje falarei sobre deus... Portanto sugiro que quem tenha estomago fraco, fé fraca, religião exacerbada... Favor retirar-se do recinto...

Para seu próprio bem no caso do estomago e da fé talvez... E para MEU próprio bem no caso da religião exacerbada. Serio mesmo... Tem gente que ainda acha que bilhões de chineses estão errados.... E o pior... Apelam feio se você tentar provar o contrario....

MAS.... Não estou aqui hoje para provar o contrario.... Não..... Hoje.... Estou aqui para falar sobre deus.... (e não é do google que eu estou falando)... Estou falando daquele velho safado mesmo.

Uma das passagens mais interessantes a se discutir é: deus fez o Homem à sua imagem e semelhança...
deus fez o homem á sua imagem e semelhança....... Isso nos leva a pensar....e concluir....
Deus.... Possui um pênis.
Pergunta: pra que serve o pênis celestial?
pra... Que ... Serve.... O pênis de deus?
varias teorias.... Então vamos partir de algumas premissas...
deus tem uma namorada? Alguma deusa disponível?... Vejamos... Kali deve ser um porre de TPM...
Vamos encarar os Fatos... Monoteista né?... Só existe um senhor... E ele não aceita uma senhora...
Próxima teoria... Deus mija?
é uma boa teoria..... Pelo tanto que ele tem cagado em nós.... No mínimo era lógico.
MAS.... Também não vamos partir de uma visão pessimista como essa.... Afinal... Deus é amor....
Amor....
Isso me leva a uma teoria final... Mais plausível....
deus fica sozinho.... Vigiando o mundo o tempo todo.... Com seu pênis...
Conheço gente que passa madrugadas na internet... Olhando o mundo.....
EURECA!!!
Deus é um grande punheteiro!
O maior que existe!
Passa madrugadas em claro em companhia apenas de seu pênis celestial.
Certamente seria um aliado formidavel para aplacar as infinitas noites de ócio e voyeurismo, daquele que tudo vê.

também é uma boa explicação pra pergunta que todos nós já fizemos um dia.... De onde vem essa porra toda?

Então amiguinhos acho que por hoje é só isso mesmo... Tenham um bom dia, sonhem com os anjinhos à noite, e não se esqueça Papai do céu ta te vigiando.

Gui... digo.... Arnaldo Jabor!... e talz

sábado, 11 de abril de 2009

A paixão de Ferris


Esse blog morreu.
Todos os últimos posts foram de nego que continua escrevendo em outros lugares, e mais lá do que aqui. O post mais popular, de longe, foi a crítica que o Gui fez de "curtindo a vida adoidado". Eu acho que o motivo pelo qual esse blog não foi pra frente é o mesmo que o Gui ignorou quando falou tão mal de Save Ferris. Eu não acho que esse seja o melhor filme do mundo, e nem vejo como alguém poderia esperar isso dele. Não vou defender a excelente trilha sonora, nem a edição foda do filme, e menos ainda as nuances metalinguísticas (bem divertidas) do filme. Não, isso seria cair no erro de julgar a obra no meio do vazio, fazer como Gui fez, esquecer que as coisas são sempre relativas a outras coisas.
Pela tom da crítica do Gui, e pra alguém que não conhece a figura, fica-se com uma imagem de um intelectual defensor do politicamente correto (fora um pouco de machismo aqui e alí). Qual o problema dos personagens latinos e negros serem ladrões? não, isso não pode, é um reforçamento dos estereótipos sociais opressores! Qual o problema do roqueiro ser drogado? que absurdo com os pobres roqueiros! Qual o problema da menina ser uma vadia? ela por acaso deveria estar em casa planejando como derrubar o sistema de produção do patriarcado, lendo Derrida, Deleuze e tendo sua sexualidade reprimida por não poder ser uma simples vadia? E caralho, se eu conhecesse alguém como Ferris, eu tentaria ser igual a ele, e admitindo a impossibilidade, claro que eu também iria querer amarrar o rapaz em mim, com um casamento, por que não. E sobre perguntar se sabe falar inglês, velho, isso mostra o quanto o personagem é cosmopolita e admite que existam pessoas que não falem sua língua, perguntando educadamente se esse era o caso ou não.
Playback. Honestamente, um filme com uma performance ao vivo não é um paradoxo não? Se for assim, todas as bandas que já gravaram um videoclipe entram na categoria do playboy. E ele cantou a versão dos Beatles (a primeira boy-band, que nem de playback precisava, só aparecia e deixava as menininhas gritando), a banda à prova de críticas. Sim, a namoradinha não sente ciúmes, um claro traço de que é uma piranha indigna de aparecer em um filme respeitável! pff. Em outro contexto isso pode ser visto como segurança de si, em um indício de profundidade no personagem que não pôde ser explorado no filme. Ou então, como Gui mesmo poderia ter deduzido, ela é só bem-comida mesmo.
A conclusão da crítica é, no entanto, bem inteligente: faz sentido ser impessoal mesmo com coisas que a nossa infância embeleza na nossa mente. Tímido. Por que não ser cruel com coisas que a gente gosta agora mesmo? Claro, Save Ferris não é uma grande obra sobre o sentido da vida, ou um dos pilares da moralidade anti-branco-classe-média-mainstream que o Gui queria ter assistido. Mas pelo menos dura só uma hora e meia. Me pergunto se existe alguma coisa que consiga satisfazer essa pessoa estranha que se revelou nessa crítica. Uma pessoa assim nunca, por exemplo, perderia seu tempo assistindo horas de Naruto (desenho japonês da pior espécie, que faz Dragon Ball parecer Tolstoi), temporadas inteiras de seriados americanos como Lost, Heroes ou 24 Horas, nos quais os valores defendidos também não são exatamente as coisas mais libertárias e inteligentes que a filosofia já viu. O autor dessa crítica nunca passaria centenas (milhares quiçá) de horas frente ao computador vendo o maravilhoso World of Warcraft desafiar todas as nossas interpretações e estereótipos metafísicos, encontrando então as virtudes que um bom filme deveria pregar. Claro que pra alguém assim, curtindo a vida adoidado pareça infantil e sem graça, um desperdício de tempo.
Tudo isso me leva a uma conclusão simples. As coisas concorrem pelo nosso tempo, e na conta do que a gente vai fazer não entra só o quanto elas são boas, mas o quanto elas custam em tempo e esforço. E por demandar tanto desse mesmo tempo, e ainda por cima esforço, esse blog acabou perdendo pra essas mesmas coisas (além do estudo, trabalho, etc).
Isso nunca aconteceria com Ferris. Ferris é demais!

ps. sente só isso aqui