Em um mundo com super heróis como nos quadrinhos americanos, os EUA seriam um país de terceiro mundo. É um fato econômico que o capital procura sempre um ambiente estável, regras claras e infra-estrutura. Em um país como os EUA da Marvel e da DC, que tem uma invasão alienígena por mês, trilhões de super-pessoas, organizações não governamentais mágicas, mutantes, paramilitares e sabe deus lá de que mais tipo, não tem como se fazer um investimento estável (e por consequência rentável) no longo prazo, diria até que nem no médio-curto. Grandes empresas fogem da America Latina com medo de mudanças na política econômica, na taxa de juros, de riscos na colheita. Imagine com aspirantes ao poder com super-habilidades? Nem a construção civil teria condições de se manter nos states, porque os prédios não entregues antes de serem demolidos de novo (em média um semestre prum crossover que dê estragos nacionais, uma semana pra Manhattan) perderiam rios de dinheiro. A Alemanha provavelmente seria a ponta do capitalismo. Quem sabe até a America Latina, porque com as preocupações domésticas de defesa os EUA dificilmente teriam recursos pra continuar com o Big Stick. Oito anos de guerra ao terror já deram essa folga pros governos de esquerda chegarem ao poder e a falência da ALCA, imagine combatendo todos aqueles caras de colã (do bem e do mal, já que o governo americano sempre tem tretas com os heróis). Na verdade, com a fuga do grande capital, o governo teria que repassar a carga tributária pros cidadãos comuns, que teriam bem menos chance de investir, o que desaceleraria mais ainda a já debilitada economia, sem contar a fuga de cérebros -já que qualquer um com meio miolo figiria de um país em constante guerra não só com superseres mas também alienígenas- e sem grandes oportunidades de ter um emprego que pagasse muito bem, porque todos esses estariam em outros lugares, junto com as grades empresas. A grande questão que resta é se o próprio mercado não ajustaria esse cenário, já que os próprios super-seres com o tempo também seguiriam o caminho do capital: afinal, alguns deles tem que manter empregos e sustentar famílias, vidas paralelas, o que ficaria progressivamente difícil nos EUA. Mas isso é fácil verificar: é só ver se os heróis mexicanos (e do resto do terceiro mundo) de hoje emigram muito pros states em busca de oportunidades. O padrão provavelmente se repetiria.
terça-feira, 23 de junho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Mucho Lokos - parte 1
- O zé. Passa a caneta aê.
- Beleza.
...
- Porra não rola de escrever. Me dá um apoio aê.
- Marcello! MARCELLOO! MARCELLOOOOO!
(risadas gerais)
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Tauromaquia e deícidio - o drama do universo




Embora a palavra “tauromaquia” seja oriunda do grego (tauromachia); o afresco cretense do atleta que salta o touro, na última imagem, representa uma idéia recorrente em diversas culturas da antiguidade e também da contemporaneidade, a luta com touros. A própria permanência desse símbolo através da história e o lugar em que aconteciam nos permitem remeter a cena não a um aspecto do cotidiano, mas sim da religiosidade.
A pintura foi encontrada no palácio de Cnosso que como outros palácios cretenses possui um característico pátio central. Acredita-se que era nesse pátio que aconteciam os rituais envolvendo a figura do touro. Esses pátios centrais eram adornados com inúmeros bucrânios, estilizações de chifres de touro que representam o animal sacrificado e vários objetos chamados de lábrys, que é propriamente um machado de duas achas utilizado para sacrificar o animal. É possível perceber nisso tudo um cenário sugestivo para um drama bem especial, o sacrifício do touro.
Recorrendo a mitologia para elucidar a razão da tauromaquia cretense podemos trazer duas figuras relacionadas ao animal. Primeiro, o mito de Zeus Kretagenes que, sob a forma de um touro copula com Europa, esposa do rei de Creta. Aceitamos também a presença de outra imagem mitológica, o Zagreus cultuado em Creta e identificado como uma variação do deus Dioniso, uma das figuras centrais da mitologia cretense, também associado à figura do touro. Dessa forma, no contexto minóico, é possível relacionar as figuras de “Zeus Cretense” e “Dionísio Zagreus” como dois aspectos de uma só divindade, coincidindo na mesma metáfora tauromorfa.
Porém, em Creta não é possível dissociar a vida religiosa de uma forte ambiência feminina, e é esse aspecto que pode nos permitir entender o elemento cruento da tauromaquia, o sacrifício do animal. Essa ambiência feminina na religião cretense está ligada à forte simbologia da Deusa Mãe, presente em diversas culturas da antiguidade, e como a tauromaquia, também presente nas religiões contemporâneas. Em geral, os cultos às figuras femininas estão ligados à fertilidade, agricultura, estações do ano e nascimento. Esses cultos também representam um drama que acontece no final dos tempos primordiais e na transição para o tempo onde se passa a vida natural dos homens, ou seja, seriam esses dramas representações cosmogônicas, da criação do universo.
Um elemento recorrente nesses dramas é o assassínio da divindade, e no caso do culto à Deusa Mãe, a sua transformação numa planta comestível. No entanto, a metáfora vegetal não é única e vêm acompanhada de metáforas animais e astrais; muitas vezes as três juntas no decurso do drama que narra a história da divindade. Uma das conclusões que podemos fazer é que o sacrifício animal se insere na representação cosmogônica e antropogônica que marca o drama da divindade. O sacrifício, dentro do culto como representação periódica do drama primordial da divindade, simbolizaria o deicídio e a restituição da ordem presente, da vida dos homens.
Essas deusas primordiais possuem representantes e acólitos, que podem ser figuras masculinas. Dionísio é filho de Perséfone, que por sua vez é filha de Demeter. Essa última, como deusa ligada à fertilidade e a vida nada mais é do que mais uma das imagens e representações da Deusa Mãe dos povos plantadores primitivos. Dioniso, como “acólito” ou “acessor” da Deusa Mãe liga-se estreitamente à sua simbologia. Vale ressaltar que esse deus, em sua mitografia, passa por uma paixão, morte e ressurreição, contando também com metamorfoses vegetais e animais. Portanto, o touro sacrificado é o deus, e a tauromaquia, um dos atos de um drama que reconta a história da humanidade e reconstitui a ordem do presente.
O afresco de Cnosso nos permite perceber diversos outros elementos da cultura minóica, como a liberdade dos corpos e seu sinuoso e dionisíaco ideal de beleza. O que nos remete também à grande importância desse deus na religião cretense, intimamente ligada ao feminino e o culto da Deusa Mãe.
Como é possível perceber a simbologia da luta com o touro é extremamente forte e perdura até os dias de hoje. No afresco cretense, a imagem vem carregada de beleza e transmite essa força milenar. O homem e a representação do animal bovino de grande porte, presente nas paredes das civilizações desde o paleolítico.
Perpassando outras religiões e práticas culturais - não apenas da antiguidade que certamente influenciaram ou foram influenciadas pelos cretenses - podemos de alguma maneira relacionar elementos de sua história com o drama de Dionísio Tauromorfo. As touradas que se tornaram clássicas na Espanha são apenas exemplos mais evidentes. O Jesus Cristo que tem sua paixão, assassínio e ressurreição e que funda uma nova ordem para o mundo, amparado pela Virgem Maria - a Deusa Mãe dos cristãos – e que também é sacrificado e ressuscitado periodicamente. E ainda no universo cristão, o nosso Bumba-meu-boi, que de fato representa a paixão, morte e a ressurreição do Espírito Santo.
O milenar afresco de Creta; tão distante no tempo, e para nós, também no espaço, sob essa perspectiva se torna bastante próximo. Embora esclareça muito sobre os percursos e as influências das culturas, tanto no aspecto técnico quanto no religioso, aprofunda sobremaneira os mistérios metafísicos e mitológicos considerados, superados pelo ser humano moderno e racional.
Showzinho

- Vou entrar de graça?
- Não, mas a entrada é cinco contos.
- Beleza, desconta dos 10 pilas e tamos combinados.
...
Blackout, bar de um broder que trabalha por lá. Uma noite fria para cacete e me arrependendo de ter levado a porcaria de um casaco fashion ao invés de algo realmente quente.
A festa demora, o som ainda tá no computador e não tem ninguém aqui, hora de tomar uma cerva, duas, três... paramos aqui. Vamos esperar a noite começar para ficar bêbados.
Começa a encher, as bandas vão começando a tirar um som pior do que o que estava tocando no computador, é hora de fazer a cabeça novamente.
- Bora tostar um?
- Demorou.
Papo de malhação, desistência, fumo em minha mão, alguma conversa sobre basquete, sobre umas minas, fumo em minha mão, algo sobre fazer barba, showzinho e o baseado acaba antes de passar em minha mão. Mas valeu a brisa bateu.
- Tomar uma cerva?
- Por favor.
- Tem grana aê?
- Apenas para uma.
- Paga a próxima.
Cerva para cacete, tomamos quantas? Umas cinco garrafas por cabeça?
De repente até as bandas parecem melhores, as minas estão olhando mas parece que não tem ninguém interessante. Opa! Tem uma baixinha ali que... Droga o Gui tá em cima. Beleza bora continuar tomando umas.
- Qual é seu nome mesmo?
- Eduardo.
- Eduardo?
- É sou amigo do Pedro.
- Eu sei.
- Só.
...
- Quem é aquela?
- A mina do Pedro.
- Então temos que ficar de olho nela, o Pedro tá de porteiro.
- Beleza. Mas fica de olho da cintura para cima.
...
- Falou com o Zé já?
- Ah, você é o Zé!
- Isso.
- Você disse outro nome.
- Hábito. É Zé Eduardo. Qualquer nome serve.
- Apresenta as amigas aê para o cara.
- Zé essa aqui é a...
- Ô Zé, você ainda tá com aquela pereba na boca?
- Oi... Estou não Pedro... Sou o Zé o cara da ex-pereba na boca.
- Ah... oi...
- Bora fumar outro?
De repente uma porrada! Algo faz tudo parecer absurdamente tão pequeno que não me importo mais nas chances perdidas, filme queimado (gratuitamente) e pretensão em buscar qualquer adolescente para esquentar a noite. A música parece até mesmo interessante e estou rindo até mesmo do tempo que estou demorando para mijar. O álcool desce tão rápido que não estou mais me sentindo bêbado.
Acordo com alguém me chamado para ir embora. Ah, é o Gui! Vamos nessa. Chego em casa e capoto de alguma forma em minha cama, acordo uma merda e com a cabeça doendo para cacete. Mas quer saber? Foi uma típica noite de showzinho e para mim isso valeu. Tinha me esquecido como era.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
uma pequena vitória
Achei uma libra no chão do buteco. Peguei disfarçadamente. Me dispensaram cedo nesse dia, eram só três da tarde. Lembrei do Gui falando: tu deve tá jogando street pra caralho. Não tive dúvidas, munido do meu pound achado, iria tentar a sorte na máquina.
Descendo a Carnaby Street, em Piccadily Circus, no London Trocadero, tem uma máquina de Street Fighter IV. Ela custa uma fortuna, um pound o continue. Chegando lá, vi dois chinas com cabelos chitãozinho e chororó com as pontas tingidas de loiro. Um deles jogava, o outro estava sentado do lado apoiando o amigo. O cara jogava com a Chun-li, e não parecia ser nada demais. Sempre perdia um round pro computador, fazia render a ficha. Ganhou de dois caras que tentaram jogar contra ele, mas eles também me pareceram ruins. Nisso, veio o remorso: porra, essa merda é cara, eu nunca joguei (na verdade, uma vez, mas foi palha, com o akuma, no time attack que eu escolhi sem querer, bêbado), e vou pagar pra tomar uma surra por não saber o timing da máquina.
Foda-se. O cara parecia ser ruim mesmo, e o fantasma do Gui não me saía da cabeça: já tivemos épocas de ganhar de pivetes no Conic, isso seria moleza. Meti a moeda e escolhi o Ken. No Street4 não tem defesa aérea, nem parry, toda vez que eu pulava tomava uma fácil. E toda vez que eu errava o shoryuken o cara pulava junto e me dava um grab aéreo com a Chun-li, o viadinho sabia jogar... perdi o primeiro round pateticamente rápido.
No segundo, comecei com uns hadoukens, nesse jogo rola o mesmo lance que no street3, tem aqueles especiais amarelinhos. Apanhei muito de novo, fiquei com só um téco de life. Nisso, o cara foi pro fim da tela e começou a me jogar aqueles hadoukens da Chun-li, que nem chegam do outro lado. O viado tava enchendo o especial. Queria me matar em grande estilo.
Nisso ele mandou o special. Na cagada eu pulei o troço. Como a vadia fica chutando o ar preciosos segundos depois disso, eu pulei, na cara e na coragem, e fiz o que o Ken faz melhor, voadora forte, murrão forte na cara e um shoryuken de fogo pra atiçar a galera. Ganhei o round. Virada sensacional. Gargalhei de alegria, rí forte, feliz no começo, forçado no final. Tinha que fazer valer o momento. O china e o amigo ficaram putos, fecharam a cara.
Começou o terceiro round, o cara me veio com umas combos de Ação Games, me botou no canto, deu um helicóptero amarelinho, fez o diabo. Mas como estava nervoso, tomou umas bandas, um gancho (bruno style pros adeptos). Evidentemente não foi o suficiente, e eu perdi. Ainda tinha meu sorriso do segundo round no rosto (o terceiro foi rapidinho), e saí satisfeito. Meus bróders ficariam orgulhosos.
Descendo a Carnaby Street, em Piccadily Circus, no London Trocadero, tem uma máquina de Street Fighter IV. Ela custa uma fortuna, um pound o continue. Chegando lá, vi dois chinas com cabelos chitãozinho e chororó com as pontas tingidas de loiro. Um deles jogava, o outro estava sentado do lado apoiando o amigo. O cara jogava com a Chun-li, e não parecia ser nada demais. Sempre perdia um round pro computador, fazia render a ficha. Ganhou de dois caras que tentaram jogar contra ele, mas eles também me pareceram ruins. Nisso, veio o remorso: porra, essa merda é cara, eu nunca joguei (na verdade, uma vez, mas foi palha, com o akuma, no time attack que eu escolhi sem querer, bêbado), e vou pagar pra tomar uma surra por não saber o timing da máquina.
Foda-se. O cara parecia ser ruim mesmo, e o fantasma do Gui não me saía da cabeça: já tivemos épocas de ganhar de pivetes no Conic, isso seria moleza. Meti a moeda e escolhi o Ken. No Street4 não tem defesa aérea, nem parry, toda vez que eu pulava tomava uma fácil. E toda vez que eu errava o shoryuken o cara pulava junto e me dava um grab aéreo com a Chun-li, o viadinho sabia jogar... perdi o primeiro round pateticamente rápido.
No segundo, comecei com uns hadoukens, nesse jogo rola o mesmo lance que no street3, tem aqueles especiais amarelinhos. Apanhei muito de novo, fiquei com só um téco de life. Nisso, o cara foi pro fim da tela e começou a me jogar aqueles hadoukens da Chun-li, que nem chegam do outro lado. O viado tava enchendo o especial. Queria me matar em grande estilo.
Nisso ele mandou o special. Na cagada eu pulei o troço. Como a vadia fica chutando o ar preciosos segundos depois disso, eu pulei, na cara e na coragem, e fiz o que o Ken faz melhor, voadora forte, murrão forte na cara e um shoryuken de fogo pra atiçar a galera. Ganhei o round. Virada sensacional. Gargalhei de alegria, rí forte, feliz no começo, forçado no final. Tinha que fazer valer o momento. O china e o amigo ficaram putos, fecharam a cara.
Começou o terceiro round, o cara me veio com umas combos de Ação Games, me botou no canto, deu um helicóptero amarelinho, fez o diabo. Mas como estava nervoso, tomou umas bandas, um gancho (bruno style pros adeptos). Evidentemente não foi o suficiente, e eu perdi. Ainda tinha meu sorriso do segundo round no rosto (o terceiro foi rapidinho), e saí satisfeito. Meus bróders ficariam orgulhosos.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Montage
Os anos 80 foram uma pérola de criatividade. Juntamente com a publicidade nascia os filmes "sessão da tarde" e com eles o conceito chamado Montage.
Quando um filme de ação era feito, sabiam que em um momento o personagem da trama deveria passar por um momento de crise e superação. É o exato ponto onde as falas são menos importantes do que suas expressões e homens sarados untados em óleo fazendo pose para a câmera.
Em momentos finais com a guerra fria Rocky o melhor lutador dos Estados Unidos da América deveria enfrentar o seu rival, obviamente mau, Drago da União das Repúblicas Socialistas Soviética.
Aqui podemos ver a nítida diferença entre o esforço para o crescer do homem americano, superando seus limites de forma simples, dedicada e ajudando aos oprimidos no processo contra o facilitado trabalho soviético de esteróides e gastos milhonários com equipamentos enquanto sua população passava fome, ao criar a máquina comuna de destruir homenzinhos.
Por ser atraente com seus 50 quilos e dentes separados a uma menina de cabelo ridículo e calça centropeito, Daniel San leva uma sova de gente sarada e caratecas sem honra. Ainda bem que o bom velhinho que morava perto de sua casa o defende e ensina o menino a se tornar um faixa preta no mais veloz treinamento marcial da história da humanidade.
Deixamos para o final o melhor uso da montage do cinema já construído até hoje. Um homem relembra em apenas dois minutos sua vida. Van Damme consegue manter a serenidade, relembrar um momento marcante do seu passado, pensar em vingar seu melhor amigo criado em uma semana e ainda passar um bronzeador enquanto gesticula os braços em seu passo de balé.
Montage: A duas décadas fazendo você acreditar que pode ser tornar o melhor a custa de músicas de fundo.
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